quinta-feira, 30 de março de 2017

Sacola do Saber

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Nesta terça feira dia 28, o Projeto Leitura Campeã, em parceria com o Programa Cidadescola , entregou para os 14 professores da escola João Franco de Godoy as sacolas do saber. Cada sacola contém uma coleção de livros para ser lido por toda família, além de um exemplar do jornal do dia. Além das sacolas do saber, diversas ações de fomento à leitura são e realizadas ao longo do ano como um piquenique literário, oficinas de produção literária, contação de histórias e muito mais. A escola também possui um exemplar da Geladeiroteca, uma geladeira personalizada e recheada de livros que fica no meio o pátio.

ITAMAR XAVIER CAMARGO, 37 Ex-presidiário faz mestrado, vira professor e cria bibliotecas em SP

RESUMO Hoje com 37 anos, Itamar Xavier Camargo é professor de artes, aluno de mestrado, dá palestras e até escreveu livro. Mas sua realidade já passou bem longe do ambiente acadêmico.
Parou de estudar aos 13, se envolveu com drogas e só foi concluir o supletivo após cumprir pena por assalto. Desde 2011, comanda o projeto Leitura Campeã, que já arrecadou cerca de 20 mil livros e criou 11 bibliotecas na região de Presidente Prudente (SP).


Cresci numa favela de São Paulo. Adorava assistir TV na casa dos vizinhos, já que na minha não tinha. Outra diversão era brincar na água que descia pelos córregos nos dias de chuva, mesmo com todo o lixo e esgoto. Parecia aqueles toboáguas que achava que nunca iria ver na vida.
Tinha seis anos quando testemunhei um assassinato pela primeira vez. Estava na mercearia do bairro quando ouvi os tiros. Ensanguentado, vi o homem agonizar no chão até parar de respirar.
Meus pais eram moradores de rua –ele era alcoólatra, e ela sofria de transtornos mentais. Fui criado por um casal de tios que brigava diariamente. Além de insultá-la, ele também batia nela. Nunca presenciei nenhum tipo de afeto entre eles.
A vida infeliz que minha tia levava fazia com que me tratasse com impaciência e intolerância. A forma como somos criados tem influência sobre o adulto que nos tornamos, mas as escolhas que me levaram pelo caminho que tomei sempre foram minhas.
Na casa deles tinha o que comer e foi lá que aprendi a tomar banho todos os dias. Mas o convívio com meus tios foi piorando. Fui crescendo enquanto eles perdiam o controle sobre mim. Aos 13 anos, fui morar com a minha avó.
Consegui um emprego como office boy, mas não me sentia motivado. Logo depois, conheci uns rapazes que me perguntaram se eu já tinha usado droga. Menti que sim, para ser aceito. Queria pertencer a um grupo.
Conheci traficantes e fui me afastando do convívio social. Passava dias sem dormir, usava todo o tipo de droga e já quase não via minha avó. Comecei a precisar vender o que tinha para sustentar meu vício. Me desfiz de sapatos, roupas e, quando não tinha mais nada, passei a roubar.
Detido pela primeira vez aos 16 anos, fui para a Febem [atual Fundação Casa]. Dormíamos amontoados, com os pés na cabeça do outro.
Lá dentro, só enxergávamos o dinheiro que traficantes e criminosos ganhavam e tudo mais que não parecia ser possível de conseguir com trabalho honesto. Mas, nos períodos de ócio, comecei a tomar certo gosto pela leitura. Foi quando conheci um professor de artes que me incentivou a aprender algumas técnicas de pintura.
Um dia, durante uma rebelião, fugi. Me senti como um herói. As mulheres pareciam se atirar em meus braços. Para quem está na periferia, é bacana ser criminoso.
Do lado de fora do muro, deixei os livros e voltei para o crime. Tentei assaltar um casal e fui baleado pelo homem, que era policial. Mesmo ensanguentado, consegui fugir e me esconder.
Quando me recuperei, senti olhares de admiração me cercando, o que satisfazia a carência que sentia. Era conhecido, e a polícia queria me pegar de qualquer jeito. Aos 22 anos, fui preso por assalto a mão armada e formação de quadrilha. Cumpri a minha pena no interior de SP.
Estar preso é como viver um dia interminável. Tiram sua liberdade, e você fica dias sem aprender nada. É um pesadelo, no qual sair em liberdade é como acordar.
E quando a gente sai, tem a sensação de que tudo ainda está como quando deixamos. Acompanhando a crise dos presídios, vejo que a situação dos encarcerados não é nada muito diferente do que eu vivi. Muitos não sabem nem ler e saem sem nenhuma formação ou perspectiva de vida.
Vi morte, vi brigas, apanhei, conheci os maiores integrantes de facções criminosas. Dormi sem roupa no chão das celas, sem colchão. Mas foi na prisão que virei um rato de biblioteca. Cumpri minha pena, em torno de cinco anos, e fui solto em Presidente Prudente, onde vivo até hoje.
Em liberdade, fiz um supletivo e logo depois ganhei uma bolsa de estudos para cursar pedagogia. Decidi que queria mudar. Recentemente, revi amigos de 20 anos atrás que não saíram do lugar. Acho que as pessoas precisam mudar diariamente. Precisam viver um processo de transformação diário. A todo momento, precisamos ser alguém novo.
Passei dias da minha vida preso, baleado em uma cama de hospital ou usando droga. Hoje curso mestrado em educação e sou professor.
Além de ministrar palestras para egressos do sistema penitenciário, suas famílias, e estudantes de ensino médio e superior, toco projetos de incentivo a leitura arrecadando livros para escolas e comunidades –desde 2011, já foram mais de 20 mil.
Não me reergui da noite para o dia. Esse processo deveria começar no período de detenção, mas lá o único interesse é punir e parece que tudo é feito para dar errado. Mesmo assim, superei as adversidades e mudei de vida para transformar outras.

terça-feira, 5 de julho de 2016

V Piquenique Literário de Presidente Prudente espera receber mais de 500 pessoas


No próximo dia 30 de julho, será realizado a 5ª edição do Piquenique Literário de Presidente Prudente, evento que já atendeu mais de mil crianças, jovens e adultos desde sua primeira edição. Neste ano o evento conta com a participação do autor prudentino e fundador da Associação de Escritores Prudentinos Sinésio de Souza, sua obra foi trabalhada pelos alunos do 2ª ano C, da escola municipal João Franco de Godoy, onde no dia irão participar de um bate papo com o autor.  Também acontecerá a entrega do premio Maior Leitor do Navio, onde na ocasião serão premiados com livros e um Tablete os alunos que mais fizeram empréstimos na biblioteca da escola, e comprovaram a leitura dos livros emprestados através de um questionário.
Também será um dia repleto de atrações com o grupo teatral Gaditas, o palhaço Celso do projeto Pia, feira de troca de livros, recreação com a Tia Buba, teatro com o ministério de adolescentes da 2ª Igreja Nova Jerusalém, algodão doce e a participação da biblioteca móvel de Presidente Prudente.
A entrada é gratuita e doando um livro ao projeto Leitura Campeã, você concorre ao sorteio de brindes.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

CONCURSO MAIOR LEITOR DO NAVIO


Escola João Franco de Godoy realiza concurso de leitura.
Neste dia 20 de abril, em comemoração a semana do livro, a escola municipal João Franco de Godoy inicia o concurso de maior leitor da escola.
Concurso maior Leitor do Betesda em 2015

Regras do concurso

•Podem participar todos alunos dos 2ª,3ª,4ª e 5ª anos da escola.
•Para participar basta responder as questões do passaporte de leitura fornecido a todos os alunos.
•O professor responsável pela classe irá fazer a contagem dos livros comprovadamente lidos pelos alunos.
•O aluno que até o mês de outubro fizer o maior número de leitura e comprovar, será premiado com um Tablet, uma medalha e um livro, os 2ª e 3ª lugares irão receber medalha e livro.

Maiores informações
Telefone: 99812-0369
Email:Itamar.x@Hotmail.com
Web: leituracampea.blogspot.com.br


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ações do dia do livro na Escola Florisvaldo leal

Ações do dia do livro

Nesta sexta feira dia 15 de abril, como parte das ações de incentivo à leitura da Escola Estadual Florisvaldo Leal de Presidente Prudente, e em homenagem ao dia do livro que será no próximo 18 de abril, foi realizado um momento de bate papo com o autor Itamar Xavier de Camargo, que escreveu a obra "A Verdade que Liberta", que conta como Deus transformou sua vida por meio da educação. O bate-papo foi realizado com os alunos dos  9ª anos do ensino fundamental e primeiros anos do ensino médio da escola. O autor é também responsável pelo projeto leitura Campeã, que desenvolvido em Presidente Prudente desde 2011, já formou 9 bibliotecas comunitárias e pontos de leitura na cidade, e desenvolve diversas ações e práticas de incentivo à leitura como encontro com autores da cidade, oficinas de produções literárias, concursos de leitura, eventos literários e o Espaço Minha Escola Lê.
O autor relatou durante o bate papo o quanto os livros foram fundamentais no processo de construção de uma nova pessoa e de sua carreira, pois havia saído do meio da criminalidade e das drogas para alcançar a posição que hoje se encontra, Xavier é professor na rede municipal de ensino e falou da importância de ler e sobre os diversos meios de leitura, as diversas linguagens existentes, mostrando aos alunos que lemos desde os primeiros dias de vida. No momento aberto para as perguntas os alunos e professores da escola, quiseram saber um pouco mais sobre o livro do autor e suas dificuldades encontradas como egresso do sistema carcerário.
Para a organizadora das ações de leitura dentro da Escola Florisvaldo Leal, o momento de bate-papo com este autor é benéfico aos alunos, pois podem ver como a leitura participa do processo de construção de uma carreira, onde para continuarem crescendo na vida precisam estudarem e lerem muito.
A diretora da unidade de ensino destaca o quanto os alunos mostraram-se satisfeitos com a fala do autor, “saíram da sala querendo ler o livro, perguntando onde encontrar ou comprar”.
A mesma diz que o livro está no acervo da biblioteca e tem sido emprestado com frequência, e tiveram que comprar outros exemplares para atender a procura.
Segundo a coordenadora da escola, em 2015 os alunos aviam trabalhado com o livro durante um projeto da Secretaria de Cultura de Presidente Prudente, "Literando", onde o livro foi emprestado para escola, para trabalharem durante o ano, e os alunos puderam ter um momento de bate papo com autor durante o 6ª Salão do Livro da cidade.
Na próxima terça feira dia 19/04 o autor estará participando também de um bate papo com os internos do Centro de Ressocialização de Presidente Prudente , o CR, durante a comemoração do dia do livro que será dia 18 de abril, dia 14 de maio as 9 horas da manhã estará no Café Poético, organizado pela Secretária de Cultura de Presidente Prudente.



terça-feira, 12 de abril de 2016

Campanha “Ler Faz Bem” chega a quinta edição em Prudente


12/04/2016 às 08:50
Gabriela Leal
A leitura é uma das formas mais antigas de adquirir conhecimento. Com esse objetivo, a campanha “Ler Faz Bem”, criada há cinco anos, busca facilitar o acesso da população com os livros. Ao todo, cerca de 20 mil livros já foram arrecadados e distribuídos nos cinco pontos de leitura criados em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e nas cinco geladeirotecas espalhadas em Presidente Prudente e também em Presidente Bernardes.
 “A campanha foi criada pelos alunos do curso de Pedagogia da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), quando na época os livros arrecadados foram usados para criar a primeira biblioteca comunitária na associação Betesda”, relembra o idealizador do projeto Itamar Xavier.
Os livros arrecadados na campanha deste ano serão usados para formar novas bibliotecas e pontos de leitura, além de abastecer as que já existem. Para este ano está previsto a criação de mais duas geladeirotecas, uma no “Projeto Aquarela”, outra em uma escola do munícipio de Anhumas (SP), ainda não definida, e na biblioteca comunitária no Centro Comunitário do bairro Ana Jacinta.
Atualmente, os pontos de leitura abastecidos, em Presidente Prudente, com a campanha são: geladeirotecas da Escola Rosana Negrão e João Franco de Godoy, Cidade da Criança, Praça do Jardim Mario Amato, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do Jardim São Pedro, Cecap, Cohab e Vila Real. Em Presidente Bernardes, a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) também recebe doações do projeto.
Locais de arrecadação
Ainda segundo Itamar, os interessados em ajudar o projeto, podem fazer as doações na escola João Franco de Godoy, nas Igrejas Nova Jerusalém, localizadas no bairro Ana Jacinta e também no Jardim Paulista, além da Faclepp (Faculdade de Artes, Ciências, Letras e Educação).
Serviço
Você ficou interessado em doar, mas não tem disponibilidade de ir até os pontos de arrecadação? Basta entrar em contato pelo telefone (18) 99812-0369. E não se esqueça, a campanha é realizada durante o ano todo. Saiba mais sobre o projeto por meio do blog:http://leituracampea.blogspot.com.br/2016/04/campanha-ler-faz-bem-2016.html

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Professores serão capacitados em contação de história

Nesta próxima quarta feira, dia 06/04 ás 18 horas, os professores da Escola João Franco de Godoy, participarão de uma oficina de contação de história oferecida pelo projeto Leitura Campeã. 
A capacitação será ministrada pela contadora de histórias e psicanalista Adriana Berguerand de 32 anos.
Segundo Berguerand, a contação de história envolve os pequenos ao redor dos livros, fazendo com que sintam-se curiosos em lê-los. Para a especialista em contação de história, são inúmeros os benefícios produzidos por este momento mágico, como desenvolver funções cognitivas, ajudar na formação do caráter e na resolução de conflitos emocionais.

Além desta capacitação, a escola vem participando do projeto Espaço Minha Escola Lê, onde teve seus muros e paredes pintadas e decoradas com personagens de contos. Ganhou um exemplar da Geladeira personalizada (Geladeiroteca), onde as crianças podem ter acesso aos livros durante os intervalos. O projeto também realizará o concurso "maior leitor da escola Navio", que premiará com livros, medalhas e um tablet, o aluno que mais livros ler durante o semestre.
Adriana B. ao lado da irmã Eloisa durante Piquenique Literário de 2015